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O PORTAL DE RADYR GONÇALVES
As letras fazem a festa na pena de Radyr Gonçalves (Dolores Caminha, publicitária)

25/08/2009 GMT 1

REVOLTA DE UMA TARDE DE AGOSTO

sappoexpresso @ 03:19

De Radyr Gonçalves

Revoltado
Lavei minhas mágoas
E fique a quarar sob o irônico sorriso solar

Eu não tenho culpa das fagulhas que irritam
Nem tampouco sou culpado pela poeira das estrelas

Eu também erro, meu bem!
Não sou juiz, santo ou deus

Irritado
Levei o meu ódio pra ver televisão
Nada passa de fantástico nesses canais baratos
Nada novo no universo internético
Nenhuma voz nova no rádio

Chutei a bandeira fincada na lua
E fui lavar os pratos

Eu sou de lua, de magnésio, enxofre e cloro
Eu sou de ferro, de paixão, amor e ódio

Mais relaxado
Acendi o fogo, deixei ferver a água e fui preparar minha especialidade:
Nissim Miojo.

16/08/2009 GMT 1

QUANDO CHOVE MINHA TRISTEZA SE ACENTUA

sappoexpresso @ 19:52

Radyr Gonçalves

Eu tenho uma tristeza distante
Que descama minha pele
E borda minha insônia

Quando chove
Minha tristeza se acentua
E eu fico a contar gotas

Tem um casebre além do rio
Onde deixei meus beijos
Que está abarrotado de solidão e lodo

Eu tenho uma tristeza em uma das faces
E é essa tristeza que vejo no espelho
Quando chove

Quando chove
Minha tristeza verseja
E eu fico a enxugar os verbos.

07/08/2009 GMT 1

EU ERA ISSO SE NÃO FOSSE AQUILO

sappoexpresso @ 02:01

Eu diria flores não fossem minhas outras falas
Eu diria luas não fossem meus muitos infernos

Eu sou dono dos meus carmas
Eu sou mar morto
Eu sou água, trovão, relâmpago, chuvinha fina...

De quanto em quanto sou cigarra
Beija-flor, meretriz
Pescador
Pecador
Céu de giz

Eu diria mares não fosse esse meu deserto
Eu diria risos não fosse esse choro contido

Eu sou dono das minhas lavras
Eu sou barco
Eu sou lema, lima, limão...
Eu sou a cruz na contra-mão...

De vez em vez eu sou cigano
Traiçoeiro, colhedor
Matador
Lenhador
Nos fartos campos
De Deus nosso Senhor!

05/08/2009 GMT 1

DAS OUTRAS ENCARNAÇÕES

sappoexpresso @ 01:59

reencarnacao.jpg

Não sei se os teus seios ou tua alma
Mas lembro que já te toquei

Com você amaciei camas
Desfiz lençóis e fronhas
Me despi em versos
Rimei, remei e rumei sobre teu rio
Cantei, dancei e amei sobre o teu campo
Adocei, beijei e gozei sobre o teu corpo

Não sei no norte ou no outro extremo
Mas eu tomei do teu veneno

Com você eu já fui à forra
Separei, parti e voltei
Voltei, separei e parti

Era você que ouvia eu cantar
Era você que partia o pão na mesa
Que incendiava o vinho
Que lia meus versos
Que ornava minha vida
Que revirava meus livros
Que fatiava a lua de prata
Que tinha de cor a serenata
Que eu desfiava na tua janela.

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19/12/2008 GMT 1

CONTO PEQUENO DE UM POEMA MORTO

sappoexpresso @ 03:27


Era uma vez um poema
Que em meio a um dilema
Morreu.
Não sei de quê
Não sei por quê
Mas morreu.
Não se esticou numa prosa
Nem imitou a semente viçosa
Simplesmente feneceu...
Morreu.
Não sei de quê
Não sei por quê
Só sei que morreu.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
04 de dezembro

 
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PRECONCEITO

sappoexpresso @ 03:25


Preconceito contra negro
Cigano
Sotaque baiano
Preconceito contra gordo
Contra magro e corintiano
Contra crente, católico, macumbeiro...
Preconceito contra gostos ditos esquisitos
Contra o reggae, o rock, o pop...
Preconceito contra o escondido
O aparecido, contra gay, lésbica, prostitutas e outras sementes...
Contra baixos, contra loiras, contra índios, contra mancos...
Cegos, mudos e aleijados...
Parece regressão, daqui a pouco voltamos à idade da pedra...
Daí teremos preconceito contra o mais ou menos barbudo...
O ser humano inventa de tudo pra ser infeliz.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008

O FIM DA SAUDADE

sappoexpresso @ 03:24
 
Me abraçou como a mãe afaga o filho
E me deitou no seu ventre virgem
Não disse nada, nadinha...
Ficou calada, caladinha...
Depois cantou baixinho ao meu ouvido
E a canção dizia da saudade fria que quase lhe arrancava o seio...
Dali por diante não mais saiu de mim
Não mais.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
04 de dezembro

 

CANÇÃO DE AÇO

sappoexpresso @ 03:23
 
O amor caiu no chão
Não se espatifou
O amor se metalizou
Trincou o chão de mármore
Não cabe ao amor se despedaçar
Cabe ao amor se alicerçar, firme, duro...
Cabe ao amor caber entre dois...
Esse é o papel do amor...
Ser aço no nosso interior.

Radyr Gonçalves

CANÇÃO DE CRISTAL

sappoexpresso @ 03:19

 

A taça transborda sob a mesa vazia
Falta alguém, meu bem!
Falta ela, pele dourada, alva, cabelos escuros...
Mas é momento de calar
De deixar a taça transbordar
De deixar a acaso prover o destino
É hora de caladinho, caladinho...
Assistir o espetáculo do vinho bailando na taça de cristal solitária.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
03 de dezembro

MÚSICA DA NOITE QUENTE

sappoexpresso @ 03:18
 
Tira a roupa, dorme nua
Como a lua, despida...
Tira os véus da vergonha
Como Adão e Eva se exponha...
Ao natural nu desvendado, se entregue...
Tire a roupa, dorme nua...
Inocente como as violetas
Se agasalhe nos braços da noite quente...
E se dispa de si, nua como ao mundo veio...
Nua, vestida de pele, tão somente.

Radyr Gonçalves
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