Mordeu os beiços, sacudiu o cabelo e desceu a ladeira
Era só lagrima de dor
Era só adeus de partida
Partido o coração em miúdos
Se deu por morta naquela noite sem brilho...
Lá se foi Maria
Com seu amor preso no peito
Seu amor o mar levou
Decerto, não mais o devolveria
Era só lagrima de sangue
Era só ferida aberta
Era só canção dorida
Deixou cair às alianças
E de mãos vazias seguiu
Rumo à solidão do quarto só
Rumo à vastidão da solidão...
Deixou cair lagrima por lagrima
Fez do quarto um mar pra lembrar
Que o mar levou o amado
Num açoite certo e covarde
Deixou a noite passar
E pela manhã percebeu que outra manhã nascera
E já não havia uma gota de lagrima
Já não havia mais oceano algum.
Radyr Gonçalves
15 de novembro de 2008