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O PORTAL DE RADYR GONÇALVES
As letras fazem a festa na pena de Radyr Gonçalves (Dolores Caminha, publicitária)

Categoria: PENSAMENTOS

07/08/2009 GMT 1

EU ERA ISSO SE NÃO FOSSE AQUILO

sappoexpresso @ 02:01

Eu diria flores não fossem minhas outras falas
Eu diria luas não fossem meus muitos infernos

Eu sou dono dos meus carmas
Eu sou mar morto
Eu sou água, trovão, relâmpago, chuvinha fina...

De quanto em quanto sou cigarra
Beija-flor, meretriz
Pescador
Pecador
Céu de giz

Eu diria mares não fosse esse meu deserto
Eu diria risos não fosse esse choro contido

Eu sou dono das minhas lavras
Eu sou barco
Eu sou lema, lima, limão...
Eu sou a cruz na contra-mão...

De vez em vez eu sou cigano
Traiçoeiro, colhedor
Matador
Lenhador
Nos fartos campos
De Deus nosso Senhor!

19/12/2008 GMT 1

PRECONCEITO

sappoexpresso @ 03:25


Preconceito contra negro
Cigano
Sotaque baiano
Preconceito contra gordo
Contra magro e corintiano
Contra crente, católico, macumbeiro...
Preconceito contra gostos ditos esquisitos
Contra o reggae, o rock, o pop...
Preconceito contra o escondido
O aparecido, contra gay, lésbica, prostitutas e outras sementes...
Contra baixos, contra loiras, contra índios, contra mancos...
Cegos, mudos e aleijados...
Parece regressão, daqui a pouco voltamos à idade da pedra...
Daí teremos preconceito contra o mais ou menos barbudo...
O ser humano inventa de tudo pra ser infeliz.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008

O SILÊNCIO CANTADO

sappoexpresso @ 02:58
 
Cante em silêncio
E sentiras cada nota da canção falar alto
Sentiras tu´ alma além do asfalto que calça os teus pés
Cante em silêncio diariamente
E sentiras que teu ser cresce uniformemente
E sentiras a atmosfera do ambiente celeste
O silêncio é a oração perfeitamente cantada
É o sinal de Deus se aproximando
É quando toda calma se instala no ser
No silêncio toda mentira se desfaz
Todas as trevas ganham o sol próprio
Toda lágrima se cala no silencio
No silêncio a sabedoria perdura
A paz reside no oceano do silêncio
Todo o universo trabalha na mecânica do silêncio
E no silêncio são criadas as mais raras obras
No silêncio nosso livro se abre
No silêncio a guerra se abate
O orgulho se destrona
A humildade floresce
A fé se alicerça
A dor se alivia
O faminto se regala
O sedento se farta
O nu se veste de luz
O sem rumo encontra a caminho
O abatido encontra forças
O doente encontra o bálsamo
O solitário encontra a mais doce companhia no silêncio
Pois o silêncio em sua plenitude, deveras, é Deus presente.

Radyr Gonçalves
Copyright
All Right Reserved

 
 
 

13/07/2008 GMT 1

ABYSSUS

sappoexpresso @ 15:16

  

Há um abismo entre a realidade das coisas formadas e a sua real origem

E no emaranhado das teorias

Ciência, religião, fé e alicerces dogmáticos se desdobram

Ninguém sabe do todo

Ninguém sabe do tudo

Todos buscam o caminho

E se perdem neste caminho

Mais a busca deste caminho se faz mister

É uma eterna busca pelo horizonte azul

Também quero o céu

Além destes sois que encadeia nossas retinas castigadas

Além destes mares de águas e assombros

Além desta vida além

Além das rosas destes nossos jardins perecíveis

Além dos jazigos e das lágrimas

Além da canção da tardinha

Além do arrebol destas nossas passageiras manhãs

Há um abismo entre o conhecimento adquirido e a realidade desconhecida

Mais quero está lá

No além destas coisas desconhecidas

Que nos rodeiam e não vemos

Além desta sopa quântica que nos faz arrepiar.

 

Radyr Gonçalves

Copyright 2008

Em 10 de maio de 2008 escrito em Carnaúba/RN

Em casa de dona Graça

  

29/05/2008 GMT 1

Flores no jardim do tempo

sappoexpresso @ 20:49

rosasbrancas1.jpg

A vida é um fruto instantâneo. Lógo passa, como um cometa apressado. Não dá nem tempo de aprender muita coisa. Não dá nem tempo de nos profissionalizarmos. Tudo o que estudamos, tudo o que sabemos, se perde ante a soberania do tempo. Somos um bando de amadores.
O nosso tempo aqui na terra é miudinho, como um grão de areia que assiste o mar diante de uma praia deserta. Passamos lógo. Passamos com a nossa arrogância. Com nossa petulância besta. Com nossa vaidade e cuidados com coisas desnecessárias. Complicamos tanto. Passamos com passos largos. Deixamos tudo. Nossas opiniões. Nossas críticas. Nossa sigla política. Nosso brazão famíliar - isso se a sua família tem o tal brazão. Nossos óculos, se é que você que está lendo usa. Nossos diplomas. Nossas futilidades. Nossos livros e filmes preferidos. Nossos ternos, se homem. Saias, vestidos e tops, se mulher. Nossa crença religiosa. Nosso ateísmo. Nossas duvidas. Nossas dívidas. Nosso plano de um ano melhor. Nossa efêmera passagem neste mundo quando analizada no silêncio noturno nos fala fundo na alma. Perguntas e mais perguntas se amontoam quase pipocando nosso cortex com tantas setas e pontinhos de interrogação. Somos uma vela com uma pequena chama bailando ao vento. Um barco que vai partir. Um sopro a disposição do divino. Uma luz frágil feita de cristal finíssimo. Carne , ossos e sangue que se decompõem com o passar das eras. Somos pequenos e insuficientes diante da dinâmica da morte. Não sabemos o próximo minuto. O próximo minuto pode ser o minuto final. O resto de uma vida pode está no tique taquear dos últimos segundos. Somos plenamente limitados diante do tempo. E ele, o tempo, é um gigante que ruge desesperadamente. Implacável. Soberano. Ele nos faz deixar nossos jardins. Ele nos mostra aonde é o real lugar das flores. O tempo nos confere o terreno certo. Palmos de terra centimetros maior que o nosso corpo. Ali as flores ficam. Ali as flores murcham. Ali elas fenecem junto a inscrição do que um dia fomos - flores - no jardim passageiro do tempo.
Radyr Gonçalves
em 03 de abril de 2002

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A morte

sappoexpresso @ 19:14
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A morte é uma música desajustada
É uma canção silênciosa
A morte tem data marcada e nem nos avisa
Não se importa com nossos planos
Com nossos sonhos de alguma coisa
A morte, segundo a bíblia, é a conseqüência do pecado
Então, no meu caso, já devia ter batido das botas
Já passei do vencimento
A morte é a sentença final
É o resultado de alguma coisa que não sabemos o certo o que é
A morte é mais dolorosa para quem fica do que para o que vai
Pelo menos nesse plano em que estamos
A morte é uma poesia sem graça
É a invenção negra de Deus
A morte é uma viagem para um lugar desconhecido
O que há por trás de sete palmos de chão e um punhado de terra?
Que deserto há além?
A morte é uma desculpa esfarrapada de alguma coisa inexplicável
Mais tem gente que merece morrer
E quem não merece?
A morte é uma peça de um único ato: o ato da dor
A dor da morte é maior que a dor de parto
A dor da morte não tem explicação científica, teológica, antropológica, a morte não tem lógica.
A morte é um mal desnecessário que temos que aprender a admitir
A morte é um fato
Há muitas teorias sobre o estado pós morte
Mais só há uma teoria acerca do verdadeiro espírito da morte: E essa teoria e o do ato da morte em si.
Eu vou morrer
Você vai morrer
Isso não é teoria, isso é fato.
A morte é uma arma certeira
É o plano final que não planejamos
É o resultado de uma vida toda, às vezes de uma vida pela metade
A morte é desumana
Arrebata quem mais amamos sem se importar com a dor que nos traspassa o peito
Sem se importar com a espada que penetra nossos corações
Sem se importar com nosso querer, com nossas vontades, nem com nossas contas
A morte é rei ( ou rainha?) de que sexo é essa maldição?
A morte é a “the end” do nosso filme particular
É o fim da linha, é o intrigante começo do não sabemos o quê
É o resultado matemático de uma equação que ninguém nunca vai solucionar
E um dia, eu e você, vamos assistir ao último pôr do sol da nossa vida e nem saberemos que aquele dia fatídico será o dia da sentença do divino.
O dia da angustia, da musica silenciosa, do ultimo poema, da última fala
O dia em que as cortinas do nosso teatro real se fecharão para sempre
E aí se seguirão às teorias há cerca do fato ocorrido. A morte.
  
  Radyr Gonçalves
copyright 2007   
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