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O PORTAL DE RADYR GONÇALVES
As letras fazem a festa na pena de Radyr Gonçalves (Dolores Caminha, publicitária)

Categoria: TRISTEZA

16/08/2009 GMT 1

QUANDO CHOVE MINHA TRISTEZA SE ACENTUA

sappoexpresso @ 19:52

Radyr Gonçalves

Eu tenho uma tristeza distante
Que descama minha pele
E borda minha insônia

Quando chove
Minha tristeza se acentua
E eu fico a contar gotas

Tem um casebre além do rio
Onde deixei meus beijos
Que está abarrotado de solidão e lodo

Eu tenho uma tristeza em uma das faces
E é essa tristeza que vejo no espelho
Quando chove

Quando chove
Minha tristeza verseja
E eu fico a enxugar os verbos.

19/12/2008 GMT 1

O SILÊNCIO CANTADO

sappoexpresso @ 02:58
 
Cante em silêncio
E sentiras cada nota da canção falar alto
Sentiras tu´ alma além do asfalto que calça os teus pés
Cante em silêncio diariamente
E sentiras que teu ser cresce uniformemente
E sentiras a atmosfera do ambiente celeste
O silêncio é a oração perfeitamente cantada
É o sinal de Deus se aproximando
É quando toda calma se instala no ser
No silêncio toda mentira se desfaz
Todas as trevas ganham o sol próprio
Toda lágrima se cala no silencio
No silêncio a sabedoria perdura
A paz reside no oceano do silêncio
Todo o universo trabalha na mecânica do silêncio
E no silêncio são criadas as mais raras obras
No silêncio nosso livro se abre
No silêncio a guerra se abate
O orgulho se destrona
A humildade floresce
A fé se alicerça
A dor se alivia
O faminto se regala
O sedento se farta
O nu se veste de luz
O sem rumo encontra a caminho
O abatido encontra forças
O doente encontra o bálsamo
O solitário encontra a mais doce companhia no silêncio
Pois o silêncio em sua plenitude, deveras, é Deus presente.

Radyr Gonçalves
Copyright
All Right Reserved

 
 
 

sappoexpresso @ 02:28
 
Só é está ilhado embrulhado em solidão
Que é papel dos mais caros
Presente de quem tem alguma sede
Quem tem solidão tem sede
Quem tem solidão tem fome
Quem tem solidão escreve poemas sem nome

Só é cantar o vácuo
É recitar o lírico olhando-se no espelho
É rezar em pé, de joelho, é rezar de qualquer jeito maneira
Pedindo a Deus e rogando ao diabo
Que rompa-se o silencio ferido...

Toda solidão é silenciosa
Toda solidão é mística
Toda solidão mora só
Toda solidão é quieta.

Só é cantar ciciando o nada
É criar um quadro...
A vantagem da solidão é que nela você pode esconder um intimo segredo e deixá-lo aberto... Pode deixar tudo fora das gavetas, tudo desarrumado, inda assim, o segredo não ventilará; não dará com a língua no céu da boca...
Outra vantagem da solidão é que com ela você pode ficar nu sem os olhos curiosos dos que adentram o quarto apenas para vislumbrar nossa vergonha vermelha...
Solidão e o ficar nu de nós mesmos.

Radyr Gonçalves

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Todos os direitos reservados
 
 

AUSÊNCIA

sappoexpresso @ 02:24

  

O desejo que há em mim me apavora
Quero teu corpo, tua pele, tua alma
Quero teu beijo, teu afago, teu calor, teu travesseiro...
Sei que nada disso terei, por isso partirei...
Partirei exausto de trilhar o amor não amado...
De vaguear pelas noites procurando teus braços...
Quando a dor me açoitar na madrugada fria
Vou sentir sua voz me dizendo: TE AMO!
Vou lembrar das tuas sandices, das tuas loucuras de lua...
E vou me ater no teu seio quente e me aquecer no teu corpo...
Me esconderei em ti, e em ti somente provarei o amor na distancia...

Saibas, pois, que te possuo a noite quando a lua vem...
Saibas, pois, que o meu canto de lamento é teu também...
Saibas, pois, que és o fruto da minha vida...
E quando a madrugada me chamar ouvirei você me chamar...

Nunca mais eu serei o mesmo
Nunca mais eu passarei nesta estação
Nunca mais cantarei o amor
Pois, flor minha, me deixastes
E eu já morro de qualquer coisa entre o amor e os teus braços (...)
Morro de qualquer coisa que chamam de AUSÊNCIA.

Por RADYR GONÇALVES
Copyright 2008
Todos os direitos reservados

01/10/2008 GMT 1

Canção do Ferido

sappoexpresso @ 22:52
 
  
Você lerá meu poema do calar
Ouvirá minha silenciosa canção da despedida
Sentirá o odor da minha ferida aberta...
Você verá o punhal com que me feriu ao lado do meu corpo
E sentirá que o amor se foi...
Como vai a gaivota pras bandas do nem sei onde
Você sentirá minha distancia...
Você sentirá falta do meu perfume
Sentirá falta dos versos de querer bem
Do jardim que plantei...

Eu não mais voltarei
Você não mais lerá meus versos de te amar
Minha declaração calará
Meu desejo será apagado
E não mais me terá assim tão leve
Olhará para o céu de ti
E verá que não mais me encontro lá...
E olhará fixamente o punhal...
O punhal com que me feriu.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
28 de setembro de 2008

Um passageiro chamado Tristeza

sappoexpresso @ 22:17
 Depressão
Um passageiro chamado tristeza
                    De Radyr Gonçalves
Minha tristeza é um rio que passa
Que foge para o oceano
Não posso me afogar
Não agora
Minha tristeza tem que criar asas
Minha tristeza é uma lágrima que lava os vãos
Destes momentos vãs
De escuridão e tormenta
Que queima como pimenta
Minha tristeza é uma canção que não canto
É um silencio criado
É um poema sem letra
É um quadro sem valor
É um baú de quinquilharias antigas
Minha tristeza é um passageiro sem rumo
Que aportou no meu peito nesta tarde fria
Minha tristeza é falta de algo, alguém, falta de bem
Mais passa.
02 de setembro de 2008
Todos os direitos reservados
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23/07/2008 GMT 1

Maria Nordestina

sappoexpresso @ 03:55

 

grief2.jpg
 

Maria não tem dita

Tem caganita

Maria não tem sorte

Só lenços pretos

Maria não tem caminho

Nem rumo certo

Não tem futuro Maria

Maria não tem um amor

Nem aconchego

Maria sente frio em pleno Seridó

Maria é só

Maria não canta, lamenta

Maria não dorme, se senta

E fica a contar as estrelas

Quantas são as estrelas do céu de Deus?

Maria não tem cheiro

Maria não tem canção de vida

Maria não sonha mais

Maria nunca sonhou

Maria não fala

Maria é calada

Maria tem calos

Nas mãos e nos pés

No peito e no coração

Maria tem calos em cada um dos seus vãos

Maria não tem identidade

Maria é Maria e só

Maria não tem passado

Seu presente é sem cor

Maria não tem futuro

Maria no quarto escuro

Maria que me da dó.


 

Radyr  Gonçalves

Copyright 2008

11 de junho de 2008

 

Em Arês/RN

  

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