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O PORTAL DE RADYR GONÇALVES
As letras fazem a festa na pena de Radyr Gonçalves (Dolores Caminha, publicitária)

19/12/2008 GMT 1

A FUGA DO AMOR

sappoexpresso @ 03:16
O amor se foi pela janela
O amor de quintais e quintais saiu a pular os oitões
O amor não viu as margaridas, as violetas, as trepadeiras cor de rosa...
O amor seguiu sua rota torta, vazio e sem cor...
A falta do amor do amor é branco e preto...
O amor nem acenou quando foi
Saiu como se foge, medroso e melancólico...
O amor teve medo de amar...
O amor se deparou com o mar da solidão...
O amor está só...

Vem pra mim amor...
E se enlaça sem medo no teu amado...
Nesta noite quente se vista de lua se mostre nua em teus sentimentos...
Dá-me a mão amor, não foge não...
Quero tua boca, teu hálito, quero travar-me no teu corpo livre...
Teu corpo é meu amor... Veja quantas flores te espera...

O amor foi pelas ruas
Chegou em casa e se trancou no quarto
Revirou as gavetas, leu as cartas, revirou a mente, e lembrou:
O amor precisa de amor...
O amor precisa ser amado.

Vem pra mim amor...
E se enlaça sem medo, desvenda teus segredos de mulher...
E sem medo me abraça, num abraço sem fim.


Radyr Gonçalves
Copyright 2008
Todos os direitos reservados


 

 

ÊXODO CIGANO

sappoexpresso @ 03:10

 

Leia a minha mão
Mostre o meu destino
Decifre as minhas linhas
Recite meu futuro
Mostre-me a rota e siga seu rumo
Aqui, ali, alhurdes...
Aqui e acolá, e depois siga seu rumo a lugar algum...

Leia minha mão
Desvenda meu céu
Me diga que a mel no meu caminho amargo
Vaticine meu tempo
Projete meu universo
Me faça tecer novos planos...

Me ensine a voar
Me erga de forma mágica
Num abacadabra me abra a porta
Do invisível, me mostre o portal além das vistas...
Me liberte com um toque...
E siga seu caminho com sorte...
Siga seu rumo
Aqui, ali, alhurdes...
Aqui e acolá e depois siga seu rumo a lugar nenhum.

                        Especialmente para Roseli Munhoz

Radyr Gonçalves
Copyright 2008

Todos os direitos reservados

O VERDADEIRO AMOR

sappoexpresso @ 03:07
 
O verdadeiro o amor guarda o perfume
O verdadeiro amor guarda o silencio da declaração
O verdadeiro amor nem precisa se declarar
O verdadeiro amor brilha como o sol
Como o sol de Maria, de Francisco, de Homero, de João e de Quintino...
O verdadeiro amor é de menino
Que ainda jovem sonha de boca aberta despercebido da lida
Que ainda menino tece na mente o sonho de dois...

O perfume dela
O abraço dela
O ciúmes dela
O corpo dela enlaçado

O verdadeiro amor é sofredor
O verdadeiro amor para o tempo
O verdadeiro amor para o vento
O verdadeiro amor acelera o nada
O verdadeiro o amor constrói o tudo
Como o tudo que Zefinha, Toinho, Bastiana e Crispino outrora construíram:
A casa branca de varandas
Bacuris a correr nos quintais
Arvores, livros meninos e coisa e mais...
O amor tem o poder de construir...

O verdadeiro amor é de menino
Que ainda jovem sonha de boca aberta despercebido da lida
Que ainda menino tece na mente o sonho de dois...

O perfume dela
O abraço dela
O ciúmes dela
O corpo dela enlaçado no meu corpo.

Radyr Gonçalves
copyright
All Rights Reserveds
 

O ANJO DO DESTINO

sappoexpresso @ 02:59
 
Anjo do destino
Tu resistes
Eu insisto: Dá-me a lua dos meus sonhos...
Dá-me a maçã que peço, a pele que almejo, o sorriso que ilumina os dias...

Anjo do destino
Tu te escondes
Eu te procuro...
Brinde-me com o meu querer
Conceda-me tal benção
Daí-me o que suplico; a pele anjo do meu ser amado, o corpo virgem, a doçura da alma de quem tanto amo...

Anjo do destino...
Dá-me a mulher que é o prisma do meu universo
Que é o universo do meu universo
Nada mais te peço, senão o perfume da alma dela pelos meus dias de eternidade...

Eis minha suplica ao anjo do destino...
Espero positivas respostas.

Radyr Gonçalves

O SILÊNCIO CANTADO

sappoexpresso @ 02:58
 
Cante em silêncio
E sentiras cada nota da canção falar alto
Sentiras tu´ alma além do asfalto que calça os teus pés
Cante em silêncio diariamente
E sentiras que teu ser cresce uniformemente
E sentiras a atmosfera do ambiente celeste
O silêncio é a oração perfeitamente cantada
É o sinal de Deus se aproximando
É quando toda calma se instala no ser
No silêncio toda mentira se desfaz
Todas as trevas ganham o sol próprio
Toda lágrima se cala no silencio
No silêncio a sabedoria perdura
A paz reside no oceano do silêncio
Todo o universo trabalha na mecânica do silêncio
E no silêncio são criadas as mais raras obras
No silêncio nosso livro se abre
No silêncio a guerra se abate
O orgulho se destrona
A humildade floresce
A fé se alicerça
A dor se alivia
O faminto se regala
O sedento se farta
O nu se veste de luz
O sem rumo encontra a caminho
O abatido encontra forças
O doente encontra o bálsamo
O solitário encontra a mais doce companhia no silêncio
Pois o silêncio em sua plenitude, deveras, é Deus presente.

Radyr Gonçalves
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SOB A LUZ AZUL DO LUAR

sappoexpresso @ 02:54
 
Teus seios sob a luz azul da lua
Seminua, e eu desejoso de ti
Querendo tua pele, mente, alma, corpo, vulva...
Invejo a lua que ti toca em chamas
Que te envolve lábios, seios, ventre, via corpo a fora...
Atenho-me ao vulcão é o teu divino corpo...

Teus seios sob a lua azul da lua
Despida, despida de roupa, de alma, de pudor...
Plenamente entregue, desbravo cada pétala do teu paraíso úmido...
Deito-me, embrenho-me no teu corpo doador...
Leva-me ao ninho de gozo, me exponho a escravidão da carne...
Roubo-te do olhar vicioso do luar azul...

Teus seios sob a luz azul do luar
E eu perdido no labirinto das tuas pernas, no suor perfume do teu gozo exposto...
Anseio tê-la pelas luas do sempre
Anseio tua pele, tua boca, teu desejo cor de vinho...
Anseio pelos meus toques ávidos tirando peça por peça das vestes que te veste...
Quero teu seio mel, teu lírio, tua fenda intima, quero me agasalhar e me doar eternamente num orgasmo lírico.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
28 de novembro
Todos os direitos reservados

SEMENTES DO AMOR

sappoexpresso @ 02:52

 

Sementes que mentem no sêmem do gozo em teu seio aberto
Na cama, estendidos, lameados pelo supra sumo do prazer
No chão os destroços das malhas amassadas
Na taça, o vinho dosado do nosso ato, do nosso néctar, do suor que nos une...
Sementes do teu ventre triangular, da tua alma ainda virgem de amor...

Arranjamos-nos em meio ao fogo do chão que se fez cama
Na cama construímos um universo de beijos e peles
Selados, escravos dos laços das pernas, das coxas petrificadas entre o tremular das nossas carnes ardentes...

No mar de cama e carnes
Navegamos corpo no corpo
Penetrados, rasgando elo por elo dos nossos castelos virgens...
Tu, entre o alvor da pele e o teu pedido de orgasmo...
Eu, entre o toque santo e o envolver malicioso das minhas mãos nas tuas entranhas nuas...

Entrego-me eterno, completo, sem vestes, visto-me de tu, do teu corpo nu.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
Todos os direitos reservados

Especial para Dhébora Linhikys e Mário de Castinho, também para Isabelyta Recom e Pedro Dias...

MOMENTO

sappoexpresso @ 02:50
 
Embrenho-me no teu terreno úmido
Me elevo ao céu deste paraíso molhado
De gozo pleno, dito orgasmo...
Da música sussurrante do teu gemido sentido...
É pele, corpo, suor...
São coxas entre coxas, pernas entre pernas...
Membros ativos, saltos, selvagens grunhidos...
É cama, chão, tapete...
É veste por veste jogada ao nada...
São mãos, pés, bocas, olhos e alma, voltados para um momento só:
O momento de amar.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
02 de dezembro

 

SER

sappoexpresso @ 02:47

 

SER, bem mais que TER...
SER é transcendente, imortal, divino...
SER é distinto, poderoso, grandioso, inefável...
SER é o estado maior da elevação.
SER se difere do TER por razões óbvias:
O TER se exauri.
O SER se eterniza.
O TER se enferruja e as traças corroem.
O SER é ouro extraterreno.
O SER não precisa de méritos e honras pra ser exaltar
O SER É. Simplesmente.
O TER é presunçoso, soberbo, pequeno e quaisquer vento o espalha.
O SER é concreto, manso, gentil e nenhum temporal o apavora.
Busquemos SER e não só TER...
Pois o TER amanhã pode ser passado.
E o SER sempre será presente, sempre.

 
Radyr Gonçalves
 
Copyright 2008
 
Todos os direitos reservados
 
 

NORMA, A NOIVA

sappoexpresso @ 02:45
 
Norma, sem regras, sem norma.
Enlouqueceu, graças a Deus só enlouqueceu, poderia ter sido pior...
Poderia está louca e grávida.
Poderia está louca e paraplégica.
Poderia está louca e pobre.
Poderia está louca e com outros tipos de mazelas.
Poderia está grávida, pois se meteu com um homem cafajeste que a abandonou no altar da igreja de São Sebastião...
Poderia está paraplégica, pois caiu da moto desse demônio chamado Araújo.
Poderia está pobre por que o meliante queria dar-lhe o golpe do tesouro...
Norma herdará dezenas de casas, fazendas, carros e uma fortuna em dinheiro...
Ainda ganha pensão.
Norma triste e louca...
Abandonada no altar, agora vive a cantar:

´´A lua me levou o homem
Que amei, que amarei...
A lua me levou o homem
O homem que era meu bem´´...

Norma, casta, puríssima, como a mãezinha de Deus...
Não cedeu pro calhorda...
Norma educada nas rédeas das religiosas da escola do Bom Conselho...
Norma pura como a flor virgem da primavera de setembro...
Norma desmemoriada...
Norma sentenciada pelo destino fatídico da loucura..
Norma sem regras de consciência...
Não diz coisa com coisa...
Não fala fala com fala...
Não decora o seu papel de moça privilegiada pelo poder da riqueza...
De nada vale seu ouro
De nada vale seus vestidos de seda importada...
De nada vale suas pinturas famosas...
Suas relíquias, seu brasão de família imponente...
De nada vale sua beleza, seu porte europeu...
De nada vale suas habilidades se estas estão embutidas no intimo da sua alma...
Norma foi sentenciada pelo destino...
Norma fora abandonada, fora mal amada...
As flores que recebia eram flores do interesse...
Os chocolates caros que recebia eram, amiúde, carregados de intenções vantajosas...
Norma bebeu o cálice da solidão...
Enlouqueceu... empobreceu de mente, emagreceu de corpo, está pálida...
De alma falida, de cara abatida, sozinha no mundo com sua riqueza que não lhe serve de escudo. Não serve de nada, absolutamente.

 
Um texto de Radyr Gonçalves
 

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