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O PORTAL DE RADYR GONÇALVES
As letras fazem a festa na pena de Radyr Gonçalves (Dolores Caminha, publicitária)

19/12/2008 GMT 1

JACKSON, JACKELINE, KELLINO

sappoexpresso @ 02:41
Jackson, Jackeline, Kelinno, um sujeito só...
Bissexual, pelo menos na sua graça de nascença...
Homossexual no intervalo desta encarnação passada...
Existe encarnação? Sei lá!
Jackson, Jackeline, Kelinno só no sentindo mais solitário da palavra sozinho...
Perdeu pai, mãe, irmão, amigos – se é que um dia ele teve amigos - perdeu tudo, cada centavo de real que tinha...
Jackson, Jackeline, Kelinno não teve destino bonito...
Não foi doutor médico, nem doutor advogado...
Não foi orgulho, não foi intenso, não foi marcante...
Foi apenas um passante não cristão, não contado nem pelas estatísticas do IBGE...
Foi só um instante não contando...
Não teve estrela, não foi estrela, foi um tempo pequeno é só...
Era fresco, pederasta, veado, gay, homossexual, afeminado, figura do diabo, coitado...
Há quem julgue, há quem cale... Eu me calo...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Homem, menino, mulher?
Quem sabe o que é?
Não tinha sexo definido na alma
Não tinha calma
Se prendeu – propositalmente? – na ilha das drogas...
E não viu muitos sois das manhãs de esperança...
Não leu Drummond, não ouviu Bach – ele não sabe o que perdeu, meu DEUS! Bach, a música de Bach o teria acalmado?
Jackson, Jackeline, Kelinno
Não tinha respostas
Mas também não tinha perguntas
Não tinha uma roupa especial
Não tinha uma data especial
Não tinha um diário rosa de bicha
Era apenas um passante
Não teve hora pra comer
Não tinha hora pra dormir
Não tinha hora pra acordar...
Ele mal dormia, ele mal acordava...
Ele mal sonhava... Não soube sonhar!
Não tinha amantes...
Não tinha rotina
Só vicio...
Pobre do homem que se perde nesta trilha
Rico homem que encontra a si mesmo...
Não tinha dinheiro...
Não era festeiro...
Quem o convidaria para uma festa?
Não tinha tempo, pois o tempo não o tinha na sua agenda...
Não tinha datas
Anos se foram, e anos vieram...
10, 20, 30 anos na ampulheta do destino se esvaíram no fosso...
Coitado do homem sem sonho...
Aventurado o homem que se veste de esperança...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Gay, homem, menino...
Sem ter quem o notasse....
Sem feitos notáveis...
Sem feito algum...
Vagueou no azul miúdo deste universo do PAI
E partiu não sei se em paz para a dimensão do bem mais...

Jackson, Jackeline, Kelinno
Não deixou filhos, nem livros, nem frase célebre, nem lembranças...
Não deixou fotos, nem deixou gestos...
Não deixou marcas, nem número de CPF...
Não deixou herança alguma, nem divida no SERASA...

Jackson, Jackeline, Kelinno
Foi apenas um passante não pensante que segue sua jornada no além da rota palpável...

Jackson, Jackeline, Kelinno
Gay, homem, mulher , menino?
Quem sabe?

Radyr Gonçalves

 
 

TEREZA

sappoexpresso @ 02:39
 
Tereza faz ponto na engenheiro Roberto Freire.
Tereza é puta de primeira, mas custa barato ter Tereza...
Tereza é morena, das ancas alargadas, da bunda redonda e bem empinada...
Tereza tem seios tamanho da lua, e anda tão nua quanto a brisa da praia...
Custa alguns reais, nada que ninguém possa ter...
Mas pra sair com Tereza, não basta ter alguns reais, tem que ser gringo, tem que ser lindo, segundo ela, tem que ser loiro de olhos coloridos...
Não pode ser negro não...
Não pode ter calo na mão...
Tereza é preta e preconceituosa... Quando nova um negro usou e abusou da negra Tereza que de negro se enojou....
Tereza sai de casa, no Passo da Pátria, dizendo que vai trabalhar...
E vai mesmo...
Dá um trabalho lidar com corpos desconhecidos...
Com bocas desconhecidas...
Com falsos amores...
Tereza acha que faz um bem social aos desamparados branquelos que querem bem mais que carinho, querem corpos como o dela...
Querem amor pago e barato...
Querem o impagável e por isso tentam pagar...
Ninguém nunca amou Tereza...
Ninguém nunca há de amar...
Ninguém nunca dará um nome à preta que só sabe se dá por migalhas caras...
Nunca terá uma casa com quintal, meninos, marido e planos de fim de semana...
Meninos pode até ter, família nunca...
Tereza nunca soube o que é família; Não sabe quem é o pai - cisma do homem do gás – a mãe era puta, tal qual ela, porem menos bela, era maneta, vendia-se por um real, nada mais.
Tereza mora com a tia que não bate bem das idéias...
Não tem noção do tempo à velha Cilene, que pensa que Tereza trabalha na loja de cimento – não sei por que ela pensa assim -.
Tereza é boa de cama...
Tereza se dá bem na ´´profissão de Raabe´´...
Tereza tem 20 anos contados,
Tereza tem anos à frente de falta de expectativa...
Tereza tem nada mais que do que nada...
Tereza cheira a perfume de griffe
Tereza acha que fede...
Tereza não sente o perfume na pele...
Tereza sente o odor da alma..,
Tereza sabe que a engenheiro Roberto Freire é fétida...
Ela sabe que as famílias começam a se destroçar ali:
Quando o bancário Demetrios, homem bem apessoado e casado se entrega aos deleites nodosos com o afeminado Kelly Day.
Quando o seu Zé Roberto, homem de mais dos 70, se alimenta do sexo da menina Dayana que com menos de 14 já se destroça numa cama...
Tereza sabe da ilegalidade dos seus atos...
Sabe que se chama pecado seu ato...
Sabe que sua alma pesa...
Sabe que sua consciência clama...
Sabe que seus caminhos são tortos...
Tereza sabe que a sua canção chama-se canção da infelicidade...
Tereza sabe que ninguém o ama...
Que ninguém o chamará de querida...
Que nunca receberá flores...
Que nunca será levada ao prazer por prazer de alguém tê-la...
Tereza nunca será esperada...
Nunca será questionada...
Nunca ninguém a de arder de ciúmes da preta...
Tereza acena e os homens se estendem ao seu corpo doador...
Tereza acena um carinho pós cama e recebe notas de pagamentos a qual ela chama de fragmentos de carinho.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
All right reserved

ASTOLFO

sappoexpresso @ 02:37
 
Astolfo é eletricista
Puxa fio
Emenda fio
Estica fio
Enrola, desenrola fio...
Astolfo está com os nervos a fio...
Astolfo anda desconfiado que anda levando fio...
Astolfo anda desconfiado de Marilda
Astolfo trabalha 12 horas por dia...
Astolfo trabalha de sol a sol.
Astolfo se enfiou numa desconfiança grenguenada
Astolfo sente que tá sendo passado pra trás...
Quando chega às 8 horas Marilda não está em casa...
E logo Marilda que não trabalha fora:
Que não tem parente perto,
Que não conhece a vizinhança,
Que não tem bate que bate com amigas,
Astolfo vem assuntando essas saídas.
Humm... Essas saídas cheiram a fios queimados...
Essas saídas estão rendendo um porre danado, ele sofre calado...
Essas saídas andam fazendo Astolfo perder seu resto de cabelos grisalhos...
Eu sei que Marilda trepa com José, Juaquim, com Tião, com Zelão e com Astolfo...
Parece incomum, mas existe outro Astolfo – esse carteiro – esse um neguinho fuleiro que anda a lançar pilhérias às mulheres que passam... Outro Astolfo.
Astolfo, o de Marilda, é gente boa...
É gente humilde
Que paga imposto
Que não compra a crédito...
Que não deve ao banco, nem ao agiota...
Que dá o dizimo, que usa as botas do trabalho pra passear por não sobrar dinheiro pra comprar um sapato de carregação...
Astolfo não sabe que é corno...
Mais algo o diz..,
Eu queria dizer...
Mais dizer pra quê?
Pra fazer o pobre infeliz sofrer antes da hora?
Espero que ele descubra só...
Espero que ele note que os decotes de Marilda é pro moço lá da esquina que ainda não provou do fruto que por lei divina e organizada pertence a ele, o eletricista...
E quando ele descobrir...
Vai chorar, vai chorar...
E quando cair na real...
Vai ser mal, vai se mau?
Ele vai beber, ele vai sofrer...
Ele vai sentir o choque maior
Ele vai querer se penitenciar
Ele vai pensar que não é muito bom...
Tudo que ele ganha pra Marina dá...
Tudo que ganha é só pra comprar perfumes, roupas, tiaras e apetrechos para enfeitar a bela morena para os outros usar...
Astolfo não merece essa página...
Astolfo merece mulher melhor
Astolfo merece fidelidade
Asfolfo merece família...
Marina sai logo cedo, antes da boca da noite se escancarar, e vai se encontrar com os amantes nas cantinas ou nas mesas de bar... De lá sai pros motéis, com negros, brancos, fétidos, cheirosos, velhos e jovens...
Apenas por prazer de trair...
Apenas por prazer de está com o outro homem que ela julgue não merecer...
Marina trai Astolfo por que acha que ele é bom demais pra ela...
Que ele é fiel demais a ela...
Marina sabe que ele não olha outra mulher...
Marina sabe que ele paga as contas...
Marina sabe que ele é zeloso...
Marina sabe que ele é romântico...
Marina sabe que mesmo quando ele bebe, ele não é grosso...
Astolfo tem boas maneiras
Tem educação de berço...
Astolfo é homem pra se arranjar com qualquer moça de boa família...
Marina não suporta a perfeição de Astolfo...
Marina não suporta a forma com que Astolfo se dedica...
E Astolfo ainda é boa pinta...
Marina trai por que Astolfo é bom demais... E ela se sente imerecida...
Não dá pra entender?
Não dá engolir?
Por que não gostar de um homem assim?
Ela gosta demais...
Ela só se acha e sempre se achou que não merecia o que ganhou e se penitencia pecando ao invés de rezando...
Não dá pra entender...
Não dá pra engolir...
Mas é assim, Astolfo é corno por ser bom...
Marilda o chifra por ser, pra alguns, sem vergonha...
Para mim, por fatores psicológicos...
Para o carteiro, pelo dom de ser puta...
Para ela, por graça imerecida...

Astolfo é eletricista
Puxa fio
Emenda fio
Estica fio
Enrola, desenrola fio...
Astolfo está sendo é enrolado por Marilda... Quando irá descobrir?

Um texto de Radyr Gonçalves

A DOR DE MARIA

sappoexpresso @ 02:34
 
Mordeu os beiços, sacudiu o cabelo e desceu a ladeira
Era só lagrima de dor
Era só adeus de partida
Partido o coração em miúdos
Se deu por morta naquela noite sem brilho...

Lá se foi Maria
Com seu amor preso no peito
Seu amor o mar levou
Decerto, não mais o devolveria
Era só lagrima de sangue
Era só ferida aberta
Era só canção dorida

Deixou cair às alianças
E de mãos vazias seguiu
Rumo à solidão do quarto só
Rumo à vastidão da solidão...

Deixou cair lagrima por lagrima
Fez do quarto um mar pra lembrar
Que o mar levou o amado
Num açoite certo e covarde
Deixou a noite passar
E pela manhã percebeu que outra manhã nascera
E já não havia uma gota de lagrima
Já não havia mais oceano algum.

Radyr Gonçalves
15 de novembro de 2008

ENTRE ESPAÇOS

sappoexpresso @ 02:33
 
Entre as andorinhas e as curujas, o casal de pombos.
Entre o leite e o café, o açúcar.
Entre o poema e a novela, a moçinha.
Entre o trilho do trem e o mar da nau, a sereia solitária.
Entre os anjos e os demônios, o corpo dela.
Entre a maçã e o vinho, a moça ébria.
Entre o ponto de partida e o de chegada, a caminhada.
Entre um e outro, a outra.
Entre o dileto e o indiscreto, os dejetos.
Entre o gelo e o fogo, a cama.
Entre o véu transparente e o muro de aço, a alma.
Entre um pé e outro, o passo.
Entre a galinha e a águia, as alturas.
Entre o mar e o céu, um jardim feito de sol e mel.
Entre o vento e o toque, a pele.
Entre um desejo e outro, o sexo.
Entre o quarto e o coração, o vácuo.
Entre eu e ela, a incerteza das tardes eternas, e só.

Radyr Gonçalves

Copyright 2008
Todos os direitos reservados

sappoexpresso @ 02:28
 
Só é está ilhado embrulhado em solidão
Que é papel dos mais caros
Presente de quem tem alguma sede
Quem tem solidão tem sede
Quem tem solidão tem fome
Quem tem solidão escreve poemas sem nome

Só é cantar o vácuo
É recitar o lírico olhando-se no espelho
É rezar em pé, de joelho, é rezar de qualquer jeito maneira
Pedindo a Deus e rogando ao diabo
Que rompa-se o silencio ferido...

Toda solidão é silenciosa
Toda solidão é mística
Toda solidão mora só
Toda solidão é quieta.

Só é cantar ciciando o nada
É criar um quadro...
A vantagem da solidão é que nela você pode esconder um intimo segredo e deixá-lo aberto... Pode deixar tudo fora das gavetas, tudo desarrumado, inda assim, o segredo não ventilará; não dará com a língua no céu da boca...
Outra vantagem da solidão é que com ela você pode ficar nu sem os olhos curiosos dos que adentram o quarto apenas para vislumbrar nossa vergonha vermelha...
Solidão e o ficar nu de nós mesmos.

Radyr Gonçalves

Copyright 2007
Todos os direitos reservados
 
 

AUSÊNCIA

sappoexpresso @ 02:24

  

O desejo que há em mim me apavora
Quero teu corpo, tua pele, tua alma
Quero teu beijo, teu afago, teu calor, teu travesseiro...
Sei que nada disso terei, por isso partirei...
Partirei exausto de trilhar o amor não amado...
De vaguear pelas noites procurando teus braços...
Quando a dor me açoitar na madrugada fria
Vou sentir sua voz me dizendo: TE AMO!
Vou lembrar das tuas sandices, das tuas loucuras de lua...
E vou me ater no teu seio quente e me aquecer no teu corpo...
Me esconderei em ti, e em ti somente provarei o amor na distancia...

Saibas, pois, que te possuo a noite quando a lua vem...
Saibas, pois, que o meu canto de lamento é teu também...
Saibas, pois, que és o fruto da minha vida...
E quando a madrugada me chamar ouvirei você me chamar...

Nunca mais eu serei o mesmo
Nunca mais eu passarei nesta estação
Nunca mais cantarei o amor
Pois, flor minha, me deixastes
E eu já morro de qualquer coisa entre o amor e os teus braços (...)
Morro de qualquer coisa que chamam de AUSÊNCIA.

Por RADYR GONÇALVES
Copyright 2008
Todos os direitos reservados

CAIXINHA DE GUARDADOS

sappoexpresso @ 02:20
 
Guarde numa caixinha cada beijo que eu te der
Guarde bem guardadinho onde ninguém possa encontrar
Guarde meu perfume, meu lenço, meu silencio, meu cantar...
Guarde o sol de mim, a lua de nós, guarde o céu nosso de cada dia...
Guarde meu deserto, meu ar seco, meu mormaço...
Guarde minha paz, minha guerra, meu cansaço...
Guarde meu ser intimo, meu toque suave, meu vinho...
Guarde minha lembrança, minhas fotografias, meus rascunhos de poesia...
Guarde o rei que a em mim (...) Guarde o pedinte, o suplicante, o implicante, guarde meu terno de vidro, guarde esse instante...
Guarde meu fruto no teu ventre, guarde o resto de mim... Guarde o desejo das noites, guarde aquela noite em especial...
Guarde o segredo da nossa história, guarde o retrato das quatro estações, a minha música preferida, guarde meu lema, meu tema, guarde minha voz em pedra.
Guarde minhas coleções de absurdos, meus erros, meu único acerto... guarde minhas senhas, minhas senhas são todas uma só, seu nome.
Guarde meu fogo, meu gelo, minhas brigas, meu leite, meus trejeitos, meu jeito, meu carinho de algodão.
Guarde meu diário, minha agenda, meu números, as cartas que me enviasse, guarde meu sal, meu doce, meu sabor...
Guarde meus gostos, meus discos antigos, meus antigos mimos, meus mimos novos, meus mimos mais secretos...
Guarde tudo na mesma caixinha onde você guardará meus beijos...
Cabe tudo lá, tenho certeza.

Um poema de Radyr Gonçalves

Escrito em maio de 2008
Copyright
Todos os direitos reservados

26/11/2008 GMT 1

NESTE NATAL

sappoexpresso @ 21:56
 
Neste natal coma menos sal. Sal em excesso faz mal a pressão arterial. Cientificamente comprovado. Neste natal tenha misericórdia das classes inferiores começando pela classe dos frangos, dos chester’s e dos perus. Poupe a vida dessas inofensivas criaturinhas neste natal. Neste natal faça um jantar vegetariano: Rúcula, cenoura, tomate, chuchu, abóbora, batata, aipim. Cebola e congêneres fazem bem a saúde. Tenhamos misericórdia dos frangos, dos chester’s e dos perus neste natal. Neste natal não esqueça de presentear os marginalizados, os que vivem nas ribanceiras da vida. Comece pelos marginalizados da sua própria família. Há sempre marginalizados na nossa própria família. Assim fazendo, todos os marginalizados do mundo serão alcançados neste natal. Neste natal, lembre-se que esses seres marginalizados comem e bebem nos outros dias do ano que vai nascer. E lembre-se que Papai Noel existe em mim e em você. Somos o Papai Noel de alguém. Neste natal, lembre-se de fabricar seus próprios cartões de natal. A palavra de ordem é reciclar. Vamos reciclar para que outros natais possam existir. Neste natal lembre-se que o natal trata-se de uma homenagem a Jesus (que ninguém sabe ao certo se nasceu em dezembro ou não – suponho que não) , porém, lembre-se que a festa é dele. É para ele. Não tente roubar a festa. Nem homenagear outro. Ele ficara contente em saber que você não esqueceu isso. E para não correr o risco de esquecer isso, neste natal coloque em pratica as noções, ensinamentos e filosofia de Jesus. Que são simples ensinamentos simples. Caridade, bondade, amor, união, fé, verdade e paz. Neste natal coma menos açúcar. Açúcar em excesso faz mal a saúde. O açúcar é cancerígeno e imunodepressor, ou seja, faz diminuir a capacidade do organismo quanto as suas defesas. Neste natal sinta-se livre para comprar roupas novas, afinal, o aniversariante é Jesus, porém, neste natal vista-se com o traje da humildade, da sinceridade e do amor. Dispa-se da capa da hipocrisia religiosa. Neste natal vista-se de fé genuína. Neste natal lembre-se de ser a luz do mundo. Lembre-se que sua atitude ao longo do tempo é que faz a diferença na hora de presentear um amigo ou parente com uma lembrança, um cartão. Lembre-se neste natal de meditar. Medite sobre aqueles que não sabem o que é um panetone, que não sabem o que danado é chester, e nunca viram uma mesa farta de guloseimas que servem mais pra enfeitar a mesa do que para o bem do corpo. Neste natal medite sobre o estado dos muitos enfermos que estão passando pelas vias do último natal. Medite sobre a convalescença daqueles que já passaram seus muitos natais. Peça a Deus que você possa ter a honra de ser presenteado com muitos e muitos natais. Neste natal agradeça pela saúde. Pelo trabalho. Pela sabedoria. Pela justiça e segurança de viver um outro natal. Neste natal seja o presente de alguém. Neste natal faça a caridade de sorrir de verdade. Um sorriso verdadeiro vale mais do que um cartão. Neste natal perdoe com legitimidade, esquecendo o ato que te feriu; lembrando que seja lá quem te feriu, ou como feriu, esse alguém merece perdão. Não por ser natal, mais pela consciência que o natal implanta na alma neste instante. Neste natal poupe os chester’s, os frangos e os perus. Neste natal seja o sal do mundo. O açúcar do mundo. Neste natal seja o sabor do mundo a sua volta. Valorize o simples. Remonte o ato de Belém na sua vida. Reveja os ensinamento da manjedoura. Da estrela no infinito. Dos pastores, simples e santos. Do rei menino rico. Do simples que revolucionou o mundo com um único ato: O ato de amar. Neste natal, aprenda mais sobre o verbo amar. Neste natal enfeite a vida do próximo. Monte sua árvore de esperança e paz. Neste natal lembre-se de deixar a porta do coração aberta. Neste natal seja flexível. Perdoe. Cante um hino sobre o natal. Abrace alguém que ninguém quer abraçar. Afague alguém esquecido. Conte a historia de Jesus para alguém. Neste natal se empanturre de felicidade. Faça desse natal um natal multicolorido, iluminado, abençoado. Refaça sua vida neste natal. Escreva um novo capitulo à partir de então. Deus te guarde neste natal. E ainda que você não acredite em Deus, ele esta aí, agora, neste instante; vendo você ler esse texto, avaliando sua critica. Neste natal poupe os chester’s, os perus e os frangos. Coma menos sal, menos açúcar. Não coma nada gorduroso. Ah, ia esquecendo, feliz natal...Mais poupe os chester’s, os perus e os frangos. 
© 2007 
Radyr Gonçalves é escritor 

DANÇA COMIGO (Antiga Aliança)

sappoexpresso @ 02:55
 
  
Dança comigo
Sob o olhar expectante do luar
Sob o ver invejoso dos astros
Dança comigo nesta noite quente
Aquece meu corpo no teu compasso
Diz cariciosamente que me ama ao pé do ouvido
Diz: Te amo, amarei...
Trarei flores pra ti
Traremos um arco colorido para enfeitar a noite
Nesta noite não haverá ninguém além
Dos olhos dos corpos celestes
Celebremos o amor, amor!
Vivamos este instante de eternidade
Dança comigo por um infinito tempo
Dança comigo como outrora
Lembra amor, dos salões e das nossas promessas
Lembra amor, nossa aliança
Celebremos nessa dança
Nossa aliança de amor.
           
 Radyr Gonçalves

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