JACKSON, JACKELINE, KELLINO
Bissexual, pelo menos na sua graça de nascença...
Homossexual no intervalo desta encarnação passada...
Existe encarnação? Sei lá!
Jackson, Jackeline, Kelinno só no sentindo mais solitário da palavra sozinho...
Perdeu pai, mãe, irmão, amigos – se é que um dia ele teve amigos - perdeu tudo, cada centavo de real que tinha...
Jackson, Jackeline, Kelinno não teve destino bonito...
Não foi doutor médico, nem doutor advogado...
Não foi orgulho, não foi intenso, não foi marcante...
Foi apenas um passante não cristão, não contado nem pelas estatísticas do IBGE...
Foi só um instante não contando...
Não teve estrela, não foi estrela, foi um tempo pequeno é só...
Era fresco, pederasta, veado, gay, homossexual, afeminado, figura do diabo, coitado...
Há quem julgue, há quem cale... Eu me calo...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Homem, menino, mulher?
Quem sabe o que é?
Não tinha sexo definido na alma
Não tinha calma
Se prendeu – propositalmente? – na ilha das drogas...
E não viu muitos sois das manhãs de esperança...
Não leu Drummond, não ouviu Bach – ele não sabe o que perdeu, meu DEUS! Bach, a música de Bach o teria acalmado?
Jackson, Jackeline, Kelinno
Não tinha respostas
Mas também não tinha perguntas
Não tinha uma roupa especial
Não tinha uma data especial
Não tinha um diário rosa de bicha
Era apenas um passante
Não teve hora pra comer
Não tinha hora pra dormir
Não tinha hora pra acordar...
Ele mal dormia, ele mal acordava...
Ele mal sonhava... Não soube sonhar!
Não tinha amantes...
Não tinha rotina
Só vicio...
Pobre do homem que se perde nesta trilha
Rico homem que encontra a si mesmo...
Não tinha dinheiro...
Não era festeiro...
Quem o convidaria para uma festa?
Não tinha tempo, pois o tempo não o tinha na sua agenda...
Não tinha datas
Anos se foram, e anos vieram...
10, 20, 30 anos na ampulheta do destino se esvaíram no fosso...
Coitado do homem sem sonho...
Aventurado o homem que se veste de esperança...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Gay, homem, menino...
Sem ter quem o notasse....
Sem feitos notáveis...
Sem feito algum...
Vagueou no azul miúdo deste universo do PAI
E partiu não sei se em paz para a dimensão do bem mais...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Não deixou filhos, nem livros, nem frase célebre, nem lembranças...
Não deixou fotos, nem deixou gestos...
Não deixou marcas, nem número de CPF...
Não deixou herança alguma, nem divida no SERASA...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Foi apenas um passante não pensante que segue sua jornada no além da rota palpável...
Jackson, Jackeline, Kelinno
Gay, homem, mulher , menino?
Quem sabe?
Radyr Gonçalves

Do Melhor
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del.icio.us
Tereza faz ponto na engenheiro Roberto Freire.
Astolfo é eletricista
Mordeu os beiços, sacudiu o cabelo e desceu a ladeira
Entre as andorinhas e as curujas, o casal de pombos.
Só é está ilhado embrulhado em solidão
Guarde numa caixinha cada beijo que eu te der
Dança comigo
