Canto da Ribeira

Quantas paixões se encenaram aqui Quantas paixões se encerraram aqui Em meio as praças, vilas, ladeiras e ruelas da Ribeira velha Quantas liras, quantos contos Quantos contos foram gastos em cada prazer deste ponto Quantas luas nuas, despida do tudo se mostrou virgem Aqui no espaço Ribeira Quantos traços de amor Quantos destroços de amor Quanto amor!! Quantos casais se fez, se faz, se desfaz Na Ribeira do além de mim A Ribeira não é só asfalto e concreto armado É coração de manteiga derretida É lágrima, é estação florida É saudade escondida No peito de alguém É parte da criação Divina, humana, animal É esconderijo de boêmio É moradia de poesia e conto De quantos contos Contos de moças mulheres Contos de giz e cera Contos de noites mal dormidas De navios de partida Ribeira é horizonte de solitário É norte da puta É o caminho amargo do ébrio É a senda alegre do apaixonado É o trono dos sábios É espaço, muito além de um bairro A Ribeira é o mundo Um mundo do povo daqui Um mundo pequeno grande Todo nosso Um mundo Ribeira Simplesmente. Radyr Gonçalves copyright em 12 de maio de 2006

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