Canto da Ribeira

Quantas paixões se encenaram aqui
Quantas paixões se encerraram aqui
Em meio as praças, vilas, ladeiras e ruelas da Ribeira velha
Quantas liras, quantos contos
Quantos contos foram gastos em cada prazer deste ponto
Quantas luas nuas, despida do tudo se mostrou virgem
Aqui no espaço Ribeira
Quantos traços de amor
Quantos destroços de amor
Quanto amor!!
Quantos casais se fez, se faz, se desfaz
Na Ribeira do além de mim
A Ribeira não é só asfalto e concreto armado
É coração de manteiga derretida
É lágrima, é estação florida
É saudade escondida
No peito de alguém
É parte da criação
Divina, humana, animal
É esconderijo de boêmio
É moradia de poesia e conto
De quantos contos
Contos de moças mulheres
Contos de giz e cera
Contos de noites mal dormidas
De navios de partida
Ribeira é horizonte de solitário
É norte da puta
É o caminho amargo do ébrio
É a senda alegre do apaixonado
É o trono dos sábios
É espaço, muito além de um bairro
A Ribeira é o mundo
Um mundo do povo daqui
Um mundo pequeno grande
Todo nosso
Um mundo Ribeira
Simplesmente.
Radyr Gonçalves
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