A morte
A morte é uma música desajustada
É uma canção silênciosa
A morte tem data marcada e nem nos avisa
Não se importa com nossos planos
Com nossos sonhos de alguma coisa
A morte, segundo a bíblia, é a conseqüência do pecado
Então, no meu caso, já devia ter batido das botas
Já passei do vencimento
A morte é a sentença final
É o resultado de alguma coisa que não sabemos o certo o que é
A morte é mais dolorosa para quem fica do que para o que vai
Pelo menos nesse plano em que estamos
A morte é uma poesia sem graça
É a invenção negra de Deus
A morte é uma viagem para um lugar desconhecido
O que há por trás de sete palmos de chão e um punhado de terra?
Que deserto há além?
A morte é uma desculpa esfarrapada de alguma coisa inexplicável
Mais tem gente que merece morrer
E quem não merece?
A morte é uma peça de um único ato: o ato da dor
A dor da morte é maior que a dor de parto
A dor da morte não tem explicação científica, teológica, antropológica, a morte não tem lógica.
A morte é um mal desnecessário que temos que aprender a admitir
A morte é um fato
Há muitas teorias sobre o estado pós morte
Mais só há uma teoria acerca do verdadeiro espírito da morte: E essa teoria e o do ato da morte em si.
Eu vou morrer
Você vai morrer
Isso não é teoria, isso é fato.
A morte é uma arma certeira
É o plano final que não planejamos
É o resultado de uma vida toda, às vezes de uma vida pela metade
A morte é desumana
Arrebata quem mais amamos sem se importar com a dor que nos traspassa o peito
Sem se importar com a espada que penetra nossos corações
Sem se importar com nosso querer, com nossas vontades, nem com nossas contas
A morte é rei ( ou rainha?) de que sexo é essa maldição?
A morte é a “the end” do nosso filme particular
É o fim da linha, é o intrigante começo do não sabemos o quê
É o resultado matemático de uma equação que ninguém nunca vai solucionar
E um dia, eu e você, vamos assistir ao último pôr do sol da nossa vida e nem saberemos que aquele dia fatídico será o dia da sentença do divino.
O dia da angustia, da musica silenciosa, do ultimo poema, da última fala
O dia em que as cortinas do nosso teatro real se fecharão para sempre
E aí se seguirão às teorias há cerca do fato ocorrido. A morte.
Radyr Gonçalves
copyright 2007
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