NORMA, A NOIVA
Norma, sem regras, sem norma.Enlouqueceu, graças a Deus só enlouqueceu, poderia ter sido pior...
Poderia está louca e grávida.
Poderia está louca e paraplégica.
Poderia está louca e pobre.
Poderia está louca e com outros tipos de mazelas.
Poderia está grávida, pois se meteu com um homem cafajeste que a abandonou no altar da igreja de São Sebastião...
Poderia está paraplégica, pois caiu da moto desse demônio chamado Araújo.
Poderia está pobre por que o meliante queria dar-lhe o golpe do tesouro...
Norma herdará dezenas de casas, fazendas, carros e uma fortuna em dinheiro...
Ainda ganha pensão.
Norma triste e louca...
Abandonada no altar, agora vive a cantar:
´´A lua me levou o homem
Que amei, que amarei...
A lua me levou o homem
O homem que era meu bem´´...
Norma, casta, puríssima, como a mãezinha de Deus...
Não cedeu pro calhorda...
Norma educada nas rédeas das religiosas da escola do Bom Conselho...
Norma pura como a flor virgem da primavera de setembro...
Norma desmemoriada...
Norma sentenciada pelo destino fatídico da loucura..
Norma sem regras de consciência...
Não diz coisa com coisa...
Não fala fala com fala...
Não decora o seu papel de moça privilegiada pelo poder da riqueza...
De nada vale seu ouro
De nada vale seus vestidos de seda importada...
De nada vale suas pinturas famosas...
Suas relíquias, seu brasão de família imponente...
De nada vale sua beleza, seu porte europeu...
De nada vale suas habilidades se estas estão embutidas no intimo da sua alma...
Norma foi sentenciada pelo destino...
Norma fora abandonada, fora mal amada...
As flores que recebia eram flores do interesse...
Os chocolates caros que recebia eram, amiúde, carregados de intenções vantajosas...
Norma bebeu o cálice da solidão...
Enlouqueceu... empobreceu de mente, emagreceu de corpo, está pálida...
De alma falida, de cara abatida, sozinha no mundo com sua riqueza que não lhe serve de escudo. Não serve de nada, absolutamente.

Do Melhor
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